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APOIAR - Testemunho na Primeira Pessoa

Os apadrinhamentos em Mumemo estão a cargo da APOIAR – Associação Portuguesa de Apoio a África, “uma associação humanitária, sem fins lucrativos, constituída em 1995, cujo principal objectivo é colaborar no desenvolvimento dos países africanos de expressão portuguesa, através da formação”, acreditando que “a educação e o acesso à informação ajudarão a romper com o «ciclo de pobreza»”.

Ninguém melhor para nos apresentar este projecto do que a sua principal mentora, Teresa Schmidt.

“Em 1995 fui com uma amiga e um filho, pela primeira vez, a Moçambique. A Paz tinha sido assinada em 1992 e o país estava ainda num profundo caos e miséria. Com a ajuda de um amigo que conhecemos lá, corremos o país quase todo, pois a nossa vontade era saber junto da população onde poderíamos ser úteis. Na altura foi considerada uma verdadeira aventura, havia minas por todo o lado e muita, muita pobreza. Mas nós não sabíamos nada e principalmente não estávamos preparados para o que vimos! O choque emocional mudou a nossa vida e gerou um sentimento tão forte que nos atirou de imediato ao trabalho! Era impossível voltar para Portugal e ser feliz – tínhamos que agir, dentro dos nossos limites fazer o possível para ajudar.

Por todo o lado tinham-nos pedido educação, pois a língua comum ajudava – cursos rápidos que pudessem ajudar os jovens a ter um futuro. Na altura só havia uma única universidade no Maputo e era muito difícil e caro entrar – o que levava os jovens ao desespero, depois de terem feito um enorme esforço de estudarem até ao 12º ano num país em guerra. Pediram-nos computadores! Num país que na altura era o 5º mais pobre do mundo! Era impensável!

E assim começámos: levávamos os computadores daqui, montávamos centros de informática com UPS, geradores, 6 computadores, impressoras e ficávamos lá durante 2 a 3 meses, em aulas intensivas, a formar formadores. Os CD’s de Geografia, História universal, etc. eram um factor muito importante para os professores que não tinham acesso a livros... quanto mais os alunos. Fizemos 11 centros espalhados pelas capitais do país, que hoje continuam a trabalhar e ganhar dinheiro. Entretanto fomos melhorando as máquinas e hoje são tudo multimedia. Muitos de parceria com as Irmãs Franciscanas, as mesmas do Mumemo.

Em 1997, estando nós a dar aulas no Xai Xai, conhecemos uma irmã dominicana que tomava conta de miúdos da rua e tentava ensinar-lhes letras e números que desenhavam com um pau no chão. Com a ajuda de empresas e principalmente de pessoas que se interessaram pelo projecto, alugámos as primeiras duas salas e instalámos a 1ª escolinha. Em 2000 tudo ficou arrasado e foi preciso recomeçar de novo noutro local. Hoje a Escolinha do André [assim se chama a escola] tem 160 crianças que estudam da infantil à 5ª classe, comem 2 refeições, brincam, aprendem cestaria, corte e costura, machamba (horta), informática e são felizes! Fazem muito barulho e asneiras como as nossas crianças quando são felizes! Temos também 60 adultos na alfabetização e senhoras na costura.

Esta escola é totalmente suportada pelos padrinhos e madrinhas e alguns beneméritos. Estamos neste momento a fazer casas para estas crianças que vivem em situações deploráveis – já se conseguiram 15!

Com a experiência adquirida no Xai Xai e a pedido da Irmã Susana, de quem somos amigos há 10 anos, começámos este ano com a creche do Mumemo. Logo que Mumemo esteja todo apadrinhado iremos para o Gurué, nas plantações de chá no meio das montanhas.”

Comments


Felicitações.

Estive em Moçambique (Xai-Xai) 12 anos. Estaria o dobro se assim fosse possível. Depois de ler o texto acima descrito, é difícil que alguém que por essa terra não tivesse passado, não tivesse em conta todas as graves dificuldades que lá se passam, bem como a falta de apoio agora verificado em todos os níveis, ensino, profissionais.materiais ou outras que por mais simples que aqui se nos apresentem, verifiquemos completa impossibilidade de lá serem inseridas, realizadas ou simplemente idealizadas devido a falta de condições próprias inerentes à actual situação do país. Embora nunca fora dos pensamentos futuros de quem imagina um melhor amanhã para esta terra, quem a mim me dera poder actualmente por qualquer modo poder ajudar no terreno ""in loco" quem a mim me proporcionou outra visão e interpretação daquilo que é África - Moçambique - (especialmente João Belo - Xai Xai.
Aguardo notícias.
Carlos Salgueiro

Viva, Carlos. Não entendemos exactamente que notícias aguardas da nossa parte, mas se tens em mente descobrir um meio de ajudar no terreno, não faltam neste espaço as referências a organizações sempre necessitadas de qualquer tipo de apoio.
E enquanto não surgir uma oportunidade nesse sentido, propomos que nos envies um testemunho teu, mais alargado do que o teu excelente comentário, acerca de como a permanência em África (inesquecível, não é?) te marcou.
Obrigado pela tua intervenção. Conta connosco no que for possível, por esta via ou pelo nosso email.

Pretendia saber como se pode ajudar a instituição

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