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PROXIMAIL

O Proximizade é uma realidade colectiva aberta à participação activa de quem o lê e o quer apoiar.
Nesse sentido, acolhemos com satisfação as contribuições que nos possam enviar e das quais seleccionaremos para publicação (nesta rubrica a que chamamos Proximail) as que melhor se enquadrarem no âmbito da missão a que nos propomos. As colaborações serão publicadas ao fim-de-semana.
Enviem as vossas propostas para o nosso email proximizade@gmail.com e exibam dessa forma o vosso empenho nesta causa comum.
E agora a estreia, com um texto da Filipa Paramés que muito agradecemos, em nome dos que precisam.


A HISTÓRIA DO COLIBRI

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O Mário sorriu e disse-me:
- Sabes a história do colibri?
- Não... - disse eu curiosa e à espera.

E depois lá ma contou:

- Uma vez houve um incêndio enorme numa floresta que fez com que todos
os animais fugissem do fogo. Era impossível combatê-lo. Enquanto
fugiam repararam que um pequeno colibri entrava e saía do fogo.
À enésima vez o Leão achou aquilo demasiado estranho e perguntou-lhe:
"Ó colibri, afinal o que andas tu a fazer a entrar e a sair deste fogo
enorme?"
E ele disse:
"É que eu encontrei um rio aqui perto. Então encho o bico de água e
atiro para o fogo!"
O Leão admirado, insistiu:
"Então, tu tão pequenino, achas mesmo que consegues apagar este fogo
imenso? É impossível!"
"Eu sei que é impossível, mas eu faço a minha parte..."

Não costumo almoçar ou jantar quando está a dar o noticiário na
televisão. Não gosto que o que se está a passar no Mundo perturbe ou
incomode a minha refeição. Principalmente se as novidades envolvem
pessoas que passam fome ou estão em sofrimento extremo. No caso de ter
o azar de tal maçada acontecer, pego no comando e mudo para um outro
canal que, de preferência esteja a transmitir uma sitcom americana. OU
então mudo para a VH1 e vejo o programa "The Fabulous Life Of..." em
que as celebridades estouram 300 mil dólares ou mais numa festa
privada qualquer.
É assim com estes jogos de cintura inconscientes que eu e todos nós
nos integramos na sociedade. É assim que nos habituamos a escudar do
que nos afecta verdadeiramente. Gosto de pensar que muitos de nós não
dá o primeiro passo em relação a causas humanitárias porque sabemos
que o confronto é demasiado doloroso.
Vemos as nossas possíveis atitutes humanitárias como uma minúscula
gota num vasto oceano. Como parece ser tão pouco, nem se tenta. Assim
explica-se muita inacção. Até explica ironicamente a nossa
sensibilidade (ou falta dela): "Ai, nem consigo ver isto! Que horror,
até me arrepio toda!" Explica muita coisa sim, mas nunca irá
justificar estas apatias tristes e constantes.
E é assim que temos tempo para os nossos melodramas...
Decidi recentemente ir durante um mês para Moçambique como voluntária.
Uma decisão a longo prazo, pois, e se tudo correr bem, só em 2007 é
que terei essa oportunidade. No fundo, não é preciso apanhar um avião,
atravessar um continente ou fazer milhares de quilómetros para se
ajudar uma ou várias pessoas. A caminho da faculdade, do emprego ou de
um evento social fútil, encontra-se muito boa gente que precisa de uma
mão amiga. Infelizmente, não é preciso ir muito longe! Mas felizmente,
até 2007 há milhares de oportunidades para arregaçar as mangas! Basta
querer abrir os olhos.
No meio de tanta desgraça, o que é preciso é ajudar. O importante é
manter a memória fresca e acordar: deixar de ignorar o que se passa,
deixar de mudar de canal quando não nos apetece gramar com desgraças
alheias e, principalmente, deixar de fingir que não sabemos que no
fundo somos uns sortudos e uns egoístas.
Tudo o que se fizer é sempre pouco. Muito pouco. Mas esse pouco deve
existir, permanecer e persistir numa luta injusta e constante!
Como o colibri que luta contra um fogo imenso, mas que nunca desiste.
Ele, um simples e pequeno pássaro, sabe muito bem que se cada um fizer
a sua parte, muitas pequenas gotas formam lagos enormes que destroem
quaisquer fogos.

Autora: FILIPA PARAMÉS

Comments

uma boa e lúcida análise e uma lição k o "colibri" nos deixa. para k não esqueçamos e mudemos algo no dia a dia. bj de luz e paz

TMara, é precisamente o espírito do colibri que anima este projecto. E o que desejamos é que haja muitos pequenos colibris a fazer, cada um, a sua pequena parte. Um óptimo dia para ti!

Olá,
Gostei mto do teu texto, tanto mais que é real. Concordando con tudo o que dizes, permite-me um comentário, e perdoem-me aqueles que não fazem parte da lista...
Porque será que a maior parte dos dirigentes das associações humanitárias são remunerados com vencimentos altissimos, e no entanto não se cansam de defender todos estes projectos?
Será que não poderiam abdicar de parte desse dinheiro, também ele fruto de donativos, e canalizá-lo para essas causas tão nobres? Se todos estivessemos alinhados, sem duvida que muitas realidades seriam diferentes......Cabe a cada um de nós fazer uma pequena parte.

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