Segundos Atrás

A cada vinte e nove segundos morre uma criança em África, vítima de malária. Desde o início da frase anterior até este preciso instante, mais uma criança soltou o suspiro final. Se a fome em muito contribui para debilitar quem dela padeça, a propagação descontrolada de algumas doenças começa a constituir o golpe de misericórdia na esperança de uma apreciável percentagem da população mundial.
E é muito rápido o ritmo a que os seres humanos sucubem a esta combinação letal. Vinte e nove segundos.
Já morreu a segunda.
São várias as doenças que dizimam crianças em vários pontos do planeta, no que constitui uma catástrofe permanente a que urge atender. Para além da malária, também a SIDA reclama muitas vidas no seu trilho que infecta um ser humano a cada 6,4 segundos. E a tuberculose é responsável por uma morte no mundo a cada dezoito segundos.
Nenhuma guerra mata assim. A estatística é dura. E o tempo passa a correr...
Mais de oitenta por cento das crianças infectadas pela SIDA a nível mundial vivem no continente africano, sem dúvida o mais flagelado nesta matéria. Fazem parte do lote das que sobrevivem à fome e a outras calamidades que a natureza e a mão humana se combinam para criar.
Os segundos passam e o tempo não joga a favor das que o destino tem poupado a estas condições.
Neste tiquetaque mortífero cada segundo ganho é uma pequena vitória. E os segundos conquistam-se convertendo o apoio financeiro em meios para combater estas ameaças que nos aterrorizam, embora neste lado do mundo os ponteiros do relógio da morte avancem devagar o bastante para nos adormecer.
Enquanto dormimos, este terror distante aproxima-se de um nível cujas repercussões o mundo não está em condições de prever. Pode converter-se numa pandemia de violência, esta anemia da consciência que nos desvia a atenção.
O tempo que havia já se perdeu. Urge agora atrapalhar a passada ao conjunto de consequências que resultam dessa oportunidade que se esbanjou, mais de vinte e nove segundos atrás.
Na coluna da direita deste blogue alinham-se apenas algumas das opções ao seu alcance para, sem abandonar essa posição de leitura, recuperar o tempo perdido ao longo das palavras deste post.
Já deu conta de quantos segundos entretanto se escoaram?
Comments
Bom dia, meninos :)
O que me espanta e continua a espantar (será q devia, ou será a minha ingenuidade política a dar de si?) é q, com a ajuda internacional que todos nós em alguma altura demos, com as toneladas de alimentos q vão para África, ainda grasse de forma absolutamente impertinente a MORTE destas crianças, qu, só por acaso nasceram naquele lugar.
Live Aid, a coordenação global, os voluntários q dão corpo e alma no terreno a estas causas talvez pudessem falar disto, daquilo q fectivamente chega (chegará?) às zonas mais 'difíceis' do continente africano. Gostava de ler testemunhos de alguém que lá está a trabalhar em ONG's, vários testemunhos, cruzar informações de várias pessoas ligadas a estas organizações.
Para mim e para muitos há algo mais a fazer q dar alimentos e medicamentos, se bem q para ensinar a pescar há q primeiro dar o peixe, alimentar e cuidar para que depois se incentive a vontade de lutar. Mas há tantas questões políticas pelo meio...
Além disto tudo, não é imperativo de conciência, perante estes textos, as imagens de fome e doença que nos entram em casa na altura do jantar, mergulharmos numa onda cívica, numa consciência pessoal e global de que há tanto a fazer a nível de diálogo com os governos? Se eu pudesse, se eu quisesse, se eu tivesse visibilidade mediática talvez estivesse lá tb. Bob Geldof, Bono (admirável Bono) estão no caminho certo, penso eu... Mas tanta distância há ainda a percorrer.
O q quero dizer é q não precisamoa ser mediáticos para fazer alguma coisa, enm pensr q o nosso esforço individual é de somenos importância. Cada um de nós sozinho não vai mudar o mundo inteiro, mas cada um de nós pode e deve ajudar, com pequenas atitudes a torná-lo um pouco mais humano.
ps: desculpem alguma falha, ms este texto foi escrito a correr, beijos*
Posted by: vague | novembro 7, 2005 12:17 PM
Obrigado Vague pelo comentário.
É isso mesmo que pretendemos reforçar aqui no Proximizade: qualquer esforço individual nunca será de "somenos importância"; todas as nossas "pequenas atitudes" podem contribuir para, de alguma forma, melhorar as condições de vida de um ser humano.
Posted by: Proximizade LV | novembro 7, 2005 01:37 PM
ukmularjh czerfz
Posted by: Enoch | fevereiro 27, 2006 11:02 PM