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A FOME NÃO DORME

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A fome continua a assolar África como uma praga e tudo parece conjugar-se para agravar a situação, um pouco por todo o continente.
Na Somália, país devastado por uma prolongada guerra civil, os confrontos reiniciaram e nessas circunstâncias prevê-se sempre o pior em matéria humanitária.
No Níger, a ameaça vem do país vizinho, a Nigéria, onde a fome grassa e a gripe das aves veio forçar o alastramento do problema além-fronteira. O impacto económico de uma crise neste importante sector, determinante nas trocas comerciais entre os dois países, faz surgir o espectro da fome em mais uma nação africana.
No Quénia, continuam os esforços para evitar o que parece inevitável. São milhões, os quenianos ameaçados pelas consequências da seca e mais gente faminta irá engrossar o contingente em aflição.
Angola enfrenta uma súbita epidemia de cólera que, caso não seja contida, poderá dar lugar às consequências que o final da guerra civil parecia ter afastado do horizonte da população angolana.

E ainda se somam casos “crónicos”, como o da Etiópia e o do Burundi, e outros “previsíveis”, como o do Zimbabué ou o da Costa do Marfim, ou “de estabilidade precária”, como no caso de Moçambique e da Namíbia, no rol de preocupações humanitárias sem fim para o continente mais martirizado do planeta.

A seca, a guerra e as doenças continuam a reclamar vidas aos milhões, num ritmo macabro a que o mundo não parece conseguir dar resposta.

Cada vez mais, cruzar os braços é sinónimo de indiferença perante este estado de coisas. E o fosso entre hemisférios não cessa de aumentar. Para nosso embaraço.

E com um custo moral no presente que começa a assumir contornos bem mais perturbadores no futuro próximo desta nossa civilização ocidental privilegiada.

Proximizade JM

Comments

Entrei apressado e com muita fome no restaurante. Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, pois queria aproveitar os poucos minutos que dispunha naquele dia atribulado, para comer e consertar alguns bugs de programação de um sistema que estava desenvolvendo, além de planejar minha viagem de férias que a tempos não sei o que são.
Pedi um filé de salmão com alcaparras na manteiga, uma salada
e um suco de laranja, afinal de contas fome é fome, mas regime é regime né?
Abri meu notebook e levei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:
- Tio, dá um trocado?
- Não tenho, menino.
- Só uma moedinha para comprar um pão.
- Está bem, compro um para você. Para variar, minha caixa de entrada esta lotada de e-mails. Fico distraído vendo poesias, as formatações lindas, dando risadas com as piadas malucas. Ah! Essa música me leva a Londres e a boas lembranças de tempos idos.
- Tio, pede para colocar margarina e queijo também.
Percebo que o menino tinha ficado ali.
- O.k. Vou pedir, mas depois me deixe trabalhar, estou muito ocupado, ta? Chega a minha refeição e junto com ela meu constrangimento. Faço o pedido do menino, e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto ir embora. Meus resquícios de consciência, me impedem de dizer. Digo que esta tudo bem. Deixe-o ficar. Que traga o pão e, mais uma refeição decente para ele. Então ele sentou á minha frente e perguntou:
- Tio o que está fazendo?
- Estou lendo uns e-mails.
- O que são e-mails?
- São mensagens electrónicas mandadas por pessoas via Internet, sabia que ele não ia entender nada, mas, a título de livrar-me de maiores questionários disse):
- É como se fosse uma carta, só que via Internet.
- Tio você tem Internet?
- Tenho sim, essencial ao mundo de hoje.
- O que é Internet ?
- É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. Tem de tudo no mundo virtual.
- E o que é virtual? Resolvo dar uma explicação simplificada, novamente na certeza que ele pouco vai entender e vai me liberar para comer minha refeição, sem culpas.
- Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos pegar, tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse.
- Legal isso. Gostei!
- Mocinho, você entendeu que é virtual?
- Sim, também vivo neste mundo virtual.
- Você tem computador?
- Não, mas meu mundo também é desse jeito... Virtual. Minha mãe fica todo dia fora, só chega muito tarde, quase não a vejo, eu fico cuidando do meu irmão pequeno que vive chorando de fome e eu dou água para ele pensar que é sopa, minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas não entendo, pois ela sempre volta com o corpo, meu pai está na cadeia há muito tempo, mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos brinquedos, de natal e eu indo ao colégio para virar medico um dia. Isso é virtual não é tio? Fechei meu notebook, não antes que a lágrimas caíssem sobre o teclado. Esperei que o menino terminasse de literalmente "devorar" o prato dele, peguei a conta, e dei o troco para o garoto, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que já recebi na vida e com um "Brigado tio você é legal!". Ali, naquela instante, tive a maior prova do virtualismo
insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel rodeia de verdade
e fazemos de conta que não percebemos!

A consciência das desigualdades aguça-nos o sentido da injustiça.
Não há como nos desresponsabilizarmos deste tipo de situação. A denúncia é a arma ao alcance de todos nós. Muitas vozes juntas a gritar as atrocidades, farão alguma mossa, quando se trate de discutir política internacional de ajuda a estes países. Parabéns pelo texto JM.

Obrigado, Mar. É essa a noção que temos que transmitir, água mole em pedra dura, até que se generalize o apelo fundamental: o da solidariedade que nos dignifica.

Não há forma de responder ao teu comentário, Luisa, sem escrever um tratado.
Excelente escolha (só para resumir).

É nobre o teu proprósito, o mundo é injusto.. O que vemos como ajuda tem sempre por trás algum interesse, muitas vezes estratégico ou monetário. Um mundo onde os nobre valores andam disimulados em por vezes falsas esperanças de que alguma vez isto irá mudar de vez e erradicarmos a probreza absolutamente da face da terra..
Abraços

Não dorme, não...

Nós não acreditamos nessa noção das "falsas esperanças", Mestrinho. Temos oito realidades concretas para provar que não há falsas, só esperanças. E basta agir.

Mas se todos dermos um pouco de nós, a cura para a "insónia" irá surgir para uma parte de quem com ela convive, Luís.
Acreditar é o primeiro passo. Depois, basta agir. E não faltam aqui propostas nesse sentido... :)

Lembram-se do Netinho? Daquele da música "Mila"? JM, estás com o gas todo!
LEVANTA O PÉ DO CHÃAAAAO!!!
É ASSIM MESMO! Ouvir não basta, é preciso dançar também.
Um abraço
Luisa

Parámos aqui, portanto....OK
Eu vou para a guerra.
Um abraço

Só a foto em si tem mto que se lhe diga...
Gostei muito!

Obrigado, Paula Rita. Eu gostarei muito se der origem a um impulso de quem se preste a contribuir para a causa subjacente.
Abraço.

Não parámos aqui, Luisa. Mas encostámos temporariamente à box por falta de combustível...

Que interesante esta foto, ainda existe pessoas que tem muita sensibilidade para encontrar boas idéias em momentos tão sofridos. Já passei por situação análoga, e graças a Deus superei-a, e aprendi muito com o sofrimento. Vcs são também beija-flores que estão fazendo sua parte, na folresta. Obrigado

Sílvio Paulo, nós é que agradecemos o seu testemunho. É sempre uma alegria saber que alguém superou um obstáculo tão grande a uma vida decente no mundo tal como o fazemos.
E tanta floresta para beijar, não é?
Grande abraço, amigo virtual.

E hà cabroes k vivem bem

E hà cabroes k vivem bem

E hà cabroes k vivem bem

E hà cabroes k vivem bem

E hà cabroes k vivem bem

E hà cabroes k vivem bem

E hà cabroes k vivem bem

E hà cabroes k vivem bem

existem pessoas a viver bem...

namora komigu

ya, é verdade...
Andam pessoas k vivem bm, k deitam comida fora... vivem em mansoes e gastam um dinheiro desgraçado....

Depois há aqueles k vivem na rua, nao tem comida e ainda por cima sao gozados pelos ricos...

ya, é verdade...
Andam pessoas k vivem bm, k deitam comida fora... vivem em mansoes e gastam um dinheiro desgraçado....

Depois há aqueles k vivem na rua, nao tem comida e ainda por cima sao gozados pelos ricos...

testgoodgoogle

A fome cada vez e mais e cada vez as pessoas mais estragam, pois as pessoas nao sabe o k e passar fome ,eu ´nao sei o k e passar fome mas faço edei do k ceza.
Eu so k deixar um aviso e k ninguem deite fora comida pois a essa pessoa nunca passou fome como estas pessoas... :-)

dfgh

O que pra nós é lixo, pra eles é a última moda. Olhamos apenas para o nosso umbigo, Reclamamos da vida mas nunca olhamos a nossa volta, nunca pensamos em ninguem apenas em nós mesmos e a quem não precisa de nossa ajuda, então está na hora de pensar um pouco em quem Realmente precisa de nós.

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