
Ao longo das semanas gastas na concepção teórica e prática deste blogue (e não é fácil acertar calendários entre doze cabeças/umbigos), uma das questões que de imediato se levantaram foi a de como fugir ao viscoso domínio da "caridade de chá".
A caridade, por princípio, nem é algo de mau se valer de alguma coisa aos que precisam. Porém, todos os membros do Proxi manifestaram a vontade de não enveredar por um caminho que pudesse conotar-se com a versão "chique" de intervenção nesta área.
É difícil distinguir as formas de apoio a quem precisa, mas aqui entendemos que a primeira regra seria evitar a oferta do peixe e investir nas canas de pesca. Ou seja, a nossa opção enquanto grupo de pessoas incidiu no apadrinhamento precisamente porque vimos nessa via uma alternativa para canalizar o apoio financeiro (também) para a formação das crianças, para as ajudar a prepararem um futuro melhor do que o presente lhes reserva.
Era a opção lógica, no embrião do Proxi e enquanto nenhum de nós sabia muito bem o rumo a dar ao nosso empenho.
Claro que é inócuo desperdiçar tempo a louvar esta ou aquela forma de fazer algo em prol de pessoas famintas. Enquanto se pensa no assunto morrem várias, vitimadas pelo problema que urge combater. Mas é importante para nós sentirmos que ninguém conota o que aqui se faz com alguma espécie de veículo para a promoção pessoal ou para o tique de "tia". Falo por todas e todos quantos estão ou estiveram ligadas/os a este blogue quando afirmo que nenhuma dessas hipóteses encaixa nas nossas intenções e julgo que o Proxi deixa isso bem claro na forma e no conteúdo.
Este espaço é apenas uma forma de blogar em benefício de outros umbigos que não os de quem bloga. Apenas um meio para rentabilizar o que já fazemos noutros espaços, canalizando parte da energia e do tempo para um propósito em condições. E não há mais nada a acrescentar a esta intenção.
Assim sendo, seria impossível algum de nós colocar-se em bicos de pés por via da participação nesta iniciativa. O combate a sério contra a fome, a guerra, as doenças e a miséria que a estas se associa é feito no terreno, por gente que arrisca, voluntárias e voluntários, por pessoas abnegadas ao ponto de abdicarem do conforto com que se bloga para se dedicarem a tempo inteiro à mais nobre das causas, ajudar pessoas, salvar vidas, minorar o sofrimento alheio.
Aqui faz-se apenas o essencial. Denunciamos os problemas (nunca é demais), apelamos à generosidade (idem) e tentamos fornecer/indicar as vias adequadas para a respectiva concretização. Nada que justifique mais do que alguma paz na consciência de quem participa, a que se adquire quando sabemos que algures um ser humano tem uma vida menos má porque alguém se lembrou que existem vidas mesmo muito más que podem ser melhoradas.
Tudo o resto é irrelevante. Só contam os resultados práticos e mesmo esses ficam sempre aquém do que desejaríamos e, ainda pior, do que seria necessário.
Queremos ajudar da melhor forma possível com base neste meio ao nosso alcance. E em vez de nos orgulharmos desse facto, envergonhamo-nos por não fazermos mais e melhor, por falta de coragem, por falta de imaginação ou simplesmente por preguiça. Só assim se poderão cumprir os desígnios que estão na origem deste blogue.
Aceitam-se textos, ideias, críticas e qualquer tipo de contributo para manter e para melhorar este trabalho. Qualquer outro tipo de apoio, nomeadamente financeiro, deve ser encaminhado para um dos linques ou das organizações que vamos indicando.
E é isto.
Simples, não?
Proximizade JM