A Escolinha do André, no Xai Xai moçambicano, é desde meados de 1997, um dos projectos desenvolvidos pela APOIAR, em parceria com as irmãs dominicanas, com o objectivo de integrar socialmente crianças abandonadas, orfãs e filhas de mães solteiras, alicerçado no apadrinhamento de crianças por particulares.
Esta escola do Xai Xai abrange uma média de 150 crianças, repartidas entre a pré-primária e a 5ª classe mais cerca de 60 adultos em cursos de alfabetização, recebendo todos alunos 3 refeições diárias.
Como refere a Irmã Isabel Langa, da direcção da escolinha, «O principal objectivo é recuperar humanamente as crianças, fazer entender que são pessoas, tentar integrar nesse ambiente de pessoas e depois... depois...então ensinar as 1ªs letras, trabalhar, brincar, jogar e mais e mais... Isto é possível mas a longo prazo e nunca se consegue recuperar todas. Temos 150- 170 e... se chegarmos a recuperar 50, 10, daremos muitas graças a Deus.»
Entre os diversos condicionalismos para o insucesso escolar, a Irmã aponta também que «Às vezes quem fica com elas, tira a criança da escola e desaparece com ela à procura da outra sorte na outra província ou do outro homem, etc. Se por acaso fôr se entender, tudo bem nunca mais veremos a criança mas se acontece o contrário e é o geral, a criança volta para escolinha pois aqui pelo menos a comida está garantida mas já passaram 2, 3, 6 meses, 1, 2, 3 anos. Outra vez vamos para a 1ª lição...».
Todas as crianças da Escolinha do André têm um padrinho, um componente essencial à sustentabilidade do projecto, que consiste no apadrinhamento dos estudos de uma criança por qualquer pessoa que queira fazer sentir a uma criança que gosta e se preocupa com ela, traduzido numa prática de comunicar com ela pelo menos uma vez por ano e comprometendo-se a contribuir com uma verba anual de 125 euros, pelo período de 5 anos.
A Escolinha do André, para além do ensino oficial, tem também a funcionar cursos de promoção da mulher, de corte e costura, de cestaria, de carpintariade e de informática.
Neste ano de 2005, a Escola iniciou a práctica de premiar os dois melhores alunos de cada classe, numa cerimónia a que assistiram todos os alunos, com o objectivo de estimular os alunos a aplicarem-se mais. Também o corpo directivo da escolinha, passou a contar com a Irmã Laura, de Angola, que já em Malange fundou e dirigiu uma escola com 1.500 crianças, de forma a que a gestão desta passe gradualmente para a sua responsabilidade. E ainda este ano, com financiamento garantido por uma parceria com a Câmara Municipal de Cascais, continua o projecto associado de construção de mais onze casas/palhota para alojamento dos alunos.