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fevereiro 23, 2006

A FOME NÃO DORME

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A fome continua a assolar África como uma praga e tudo parece conjugar-se para agravar a situação, um pouco por todo o continente.
Na Somália, país devastado por uma prolongada guerra civil, os confrontos reiniciaram e nessas circunstâncias prevê-se sempre o pior em matéria humanitária.
No Níger, a ameaça vem do país vizinho, a Nigéria, onde a fome grassa e a gripe das aves veio forçar o alastramento do problema além-fronteira. O impacto económico de uma crise neste importante sector, determinante nas trocas comerciais entre os dois países, faz surgir o espectro da fome em mais uma nação africana.
No Quénia, continuam os esforços para evitar o que parece inevitável. São milhões, os quenianos ameaçados pelas consequências da seca e mais gente faminta irá engrossar o contingente em aflição.
Angola enfrenta uma súbita epidemia de cólera que, caso não seja contida, poderá dar lugar às consequências que o final da guerra civil parecia ter afastado do horizonte da população angolana.

E ainda se somam casos “crónicos”, como o da Etiópia e o do Burundi, e outros “previsíveis”, como o do Zimbabué ou o da Costa do Marfim, ou “de estabilidade precária”, como no caso de Moçambique e da Namíbia, no rol de preocupações humanitárias sem fim para o continente mais martirizado do planeta.

A seca, a guerra e as doenças continuam a reclamar vidas aos milhões, num ritmo macabro a que o mundo não parece conseguir dar resposta.

Cada vez mais, cruzar os braços é sinónimo de indiferença perante este estado de coisas. E o fosso entre hemisférios não cessa de aumentar. Para nosso embaraço.

E com um custo moral no presente que começa a assumir contornos bem mais perturbadores no futuro próximo desta nossa civilização ocidental privilegiada.

Proximizade JM

dezembro 11, 2005

PROXIMAIL - A mudança é possível. Para melhor.

"Pelo mundo fora, milhares de pessoas trabalham, empenham-se e canalizam as suas energias a tentar encontrar formas de combater a pobreza e a exclusão social.

São especialistas e técnicos das diferentes áreas de formação de alguma forma relacionadas com os problemas socias. São voluntários de uma infinitude de profissões e sensibilidades que afectam parte do seu tempo a ajudar quem precisa, que abandonam família e confortos vários desta metade de mundo, o "civilizado" em que temos a sorte de habitar, para se dedicar a missões humanitárias num qualquer canto esquecido do planeta. São estudiosos que comparam estratégias, abordagens de sucesso, exemplos de boas práticas, para tentar fazer com que o mesmo modelo possa funcionar noutra parte do mundo.

Fazem lembrar o exemplo da formiga, assemelham-se a um exército destes diligentes pequenos seres, ao dedicar as suas vidas à tentativa de encontrar a "fórmula mágica" que permita que os tantos que têm tão pouco possam passar a ter um pouco mais.

É possível inverter o estado actual do planeta, em termos de pobreza e exclusão social.

É possível transferir meios para os países menos desenvolvidos, afectar recursos que potenciem o investimento, descobrir potencialidades, desenvolver projectos.

A mudança é possível. Para melhor. E exemplos não faltam.

Pequenas comunidades onde, a pouco e pouco, com persistência, com fé, se vão encontrando modelos de desenvolvimento incipientes mas que acendem esperanças num futuro melhor para as gerações que ali se seguirão.

Sítios onde se dá voz aos que não têm "voz" no plano político internacional e se ouvem as suas expectativas, a visão que têm sobre a sua condição pessoal, os sonhos que conseguem ainda construir, a forma como idealizam a sua própria ascenção a uma vida (um pouco) melhor...

O CIARIS é um instrumento electrónico, criado no Quadro do Programa "Strategies and Tools against Exclusion and Poverty" (STEP), da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Para além do objectivo de contribuir para um maior rigor, eficácia e durabilidade das acções dos utilizadores em matéria de luta contra a exclusão social a nível local, o CIARIS dispõe de um conjunto de recursos que nos transportam a vários pontos do mundo, com informação actualizada sobre projectos e acções em curso, sites de organizações internacionais que actuam nesta área, exemplos positivos de experiências que estão a acontecer e que motivam quem se preocupa e quer também fazer qualquer coisa para mudar.

Este é um recurso que permite a aprendizagem, a informação, o acesso ao conhecimento que possibilite a acção. Destinado a quem se interesse por estas questões e não considere tempo perdido a procura de soluções para construir um mundo melhor.

Aquele que iremos legar aos nossos filhos."

Maria Manuel (Mar)

dezembro 08, 2005

Ainda a propósito de "Quem somos?"...

Em complemento ao texto anteriormente publicado, sobre "Quem somos?", é importante sublinhar que as pessoas que fazem hoje o Proximizade podem não ser as mesmas amanhã; o blogue está aberto à participação de novos colaboradores que se queiram juntar a este projecto.

Já actualmente, alguns dos textos publicados são escritos por pessoas que, não integrando o grupo de participantes no projecto, gentilmente nos enviaram os seus testemunhos. Envie-nos também o seu!

Mais: acrescentamos também que não somos nenhuma ONG. A nossa intenção é apenas, exclusivamente, a de divulgar e sensibilizar, não se processando nunca por nossa via qualquer movimentação de fundos (à excepção dos nossos próprios).

Enquanto grupo "Proximizade", apadrinhámos 2 crianças: a Berta (em Mumemo) e o Luís (em Chimpaca). E assumimos essa responsabilidade.

As outras crianças foram apadrinhadas por pessoas que nos leram e que assumiram a sua própria responsabilidade, contactando directamente as ONG's em causa (respectivamente, a APOIAR e a SOPRO - cujos responsáveis nos informaram sobre esses novos apadrinhamentos, com origem na leitura do Proximizade).

dezembro 05, 2005

Quem somos?

Perguntam-nos num comentário quem somos, porque nos mantemos no anonimato.

O blogue não tem nomes porque assim o quisemos. Somos um grupo de pessoas que têm os seus próprios blogues, que decidiram um dia juntar-se para procurar sair da cultura da insensibilidade cada vez mais instalada. E que não pretendem qualquer espécie de protagonismo por isso.

Se indicássemos os nossos nomes ou nicknames, teríamos sem dúvida críticas acerca de como desejamos ser "bonzinhos e caridosos". Ora não é esse o espírito que nos anima. Já diz o Evangelho que não saiba a nossa mão esquerda o bem que a direita faz. Quem somos não importa, importa o que fazemos, e que não fazemos para nós nem por nós – mas para e por quem precisa.

Claro que há quem saiba quem somos. As pessoas amigas que frequentam os nossos blogues sabem como nasceu este projecto, mas também elas compreenderam a vontade que temos de não dar rostos, de guardar silêncio. Tal como muitos daqueles que contribuiram para a divulgação deste blogue, logo no seu dia inicial.

Importará saber quem faz o Proximizade? Sinceramente, achamos que não. Importa é dar rosto à Berta, ao Luís, à Minina e aos outros meninos. Importa é dar a conhecer as iniciativas que permitem auxiliar quem precisa. As nossas caras, os nossos nomes, os nossos nicks, esses não valem nada.

novembro 24, 2005

Mais do que uma causa

Existe quem defenda que as Organizações Não Governamentais (ONG) estão a assumir um papel cada vez mais destacado na sua intervenção, ao ponto de começarem a substituir o poder político/financeiro em muitas tarefas que estes exibem incapacidade (vontade política?) para executar.

De resto, a reacção hostil de vários Governos (e de grandes multinacionais) à presença e à actuação de organizações como a Amnistia Internacional ou a Greenpeace, para só citarmos algumas, denuncia o desconforto dessa constatação.

A sociedade civil encontra nas ONG a resposta imediata a problemas concretos que carecem de solução e isso traduz-se numa aposta cada vez mais determinada no papel das instituições que prestam ajuda humanitária e que tentam intervir directamente no bem estar das populações.

É notório o peso que iniciativas como o micro-crédito, por exemplo, assumem no desenvolvimento económico de algumas nações menos preparadas para o efeito da globalização ou que padeçam dos males crónicos do costume.

Guerra, doença, calamidades naturais e consequências desastrosas da má governação abrem o caminho para as sequelas a que só a intervenção independente das ONG consegue oferecer um lenitivo. Pelo menos a esperança e a garantia de algum apoio para quem sofre de carências impensáveis e urgentes de acudir.

E essa força que move o auxílio humanitário somos nós que a criamos, pela canalização do nosso apoio para essas organizações com provas dadas.

O Proximizade existe acima de tudo para esse fim, motivar a intervenção, e daí derivam as nossas concretizações até à data.

O que está em causa é muito mais do que o estímulo de donativos e de apoios para os que precisam, para salvar algumas vidas ou simplesmente melhorá-las.

O que está em causa, e por isso insistimos na vossa participação activa neste projecto (visitando, clicando nos linques laterais, comentando ou enviando posts para publicação), é a multiplicação dos sinais que revelam uma tendência crescente dos cidadãos de cada vez mais países para confiar nas ONG como uma alternativa inadiável. Para equilibrarmos a parada.

Para que cada vez mais gente apoie e motive quem tenta acordar o Mundo e mobilizá-lo para a sua própria salvação.

novembro 07, 2005

Segundos Atrás

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A cada vinte e nove segundos morre uma criança em África, vítima de malária. Desde o início da frase anterior até este preciso instante, mais uma criança soltou o suspiro final. Se a fome em muito contribui para debilitar quem dela padeça, a propagação descontrolada de algumas doenças começa a constituir o golpe de misericórdia na esperança de uma apreciável percentagem da população mundial.
E é muito rápido o ritmo a que os seres humanos sucubem a esta combinação letal. Vinte e nove segundos.
Já morreu a segunda.

São várias as doenças que dizimam crianças em vários pontos do planeta, no que constitui uma catástrofe permanente a que urge atender. Para além da malária, também a SIDA reclama muitas vidas no seu trilho que infecta um ser humano a cada 6,4 segundos. E a tuberculose é responsável por uma morte no mundo a cada dezoito segundos.
Nenhuma guerra mata assim. A estatística é dura. E o tempo passa a correr...

Mais de oitenta por cento das crianças infectadas pela SIDA a nível mundial vivem no continente africano, sem dúvida o mais flagelado nesta matéria. Fazem parte do lote das que sobrevivem à fome e a outras calamidades que a natureza e a mão humana se combinam para criar.
Os segundos passam e o tempo não joga a favor das que o destino tem poupado a estas condições.

Neste tiquetaque mortífero cada segundo ganho é uma pequena vitória. E os segundos conquistam-se convertendo o apoio financeiro em meios para combater estas ameaças que nos aterrorizam, embora neste lado do mundo os ponteiros do relógio da morte avancem devagar o bastante para nos adormecer.
Enquanto dormimos, este terror distante aproxima-se de um nível cujas repercussões o mundo não está em condições de prever. Pode converter-se numa pandemia de violência, esta anemia da consciência que nos desvia a atenção.

O tempo que havia já se perdeu. Urge agora atrapalhar a passada ao conjunto de consequências que resultam dessa oportunidade que se esbanjou, mais de vinte e nove segundos atrás.
Na coluna da direita deste blogue alinham-se apenas algumas das opções ao seu alcance para, sem abandonar essa posição de leitura, recuperar o tempo perdido ao longo das palavras deste post.

Já deu conta de quantos segundos entretanto se escoaram?

novembro 02, 2005

Pessoas que precisam, invisíveis. E pessoas que têm muito para dar, quando não desperdiçam. Tempo, motivação, consciência. E dinheiro, também.
Entre este binómio, uma via de comunicação. A blogosfera, internet no seu melhor quando o que se escreve e o que se lê tendem a conjugar-se no verbo aproximar.

Dois mundos nos antípodas, um vítima dos excessos e outro à míngua das suas migalhas. Gente com fome, crianças, que sobrevivem apenas para ganharem forças para fugir à miséria. Rumo ao lado de cá, que os recusa.
A caridade já não basta e é necessária intervenção. Amizade em estado puro, reunida por gente que bloga em torno de um objectivo comum: fomentar a generosidade como uma urgência e canalizá-la para as melhores mãos (as mais necessitadas).

Proximidade e mão amiga. Proximizade, feita do entusiasmo voluntário de quem quer ajudar a combater a apatia, a dispersão e a insensibilidade que nos ameaça se continuarmos indiferentes ao que se sabe e ao que se vê. E ao que se deixa por sentir.
Nós sentimos assim. E acreditamos numa sociedade que quer sentir da mesma forma e intervir sem demora.
Aqui, já está a acontecer.