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fevereiro 02, 2006

Passagem de testemunho

O Proximizade completa hoje três meses de existência na blogosfera.

Num movimento inédito na blogosfera nacional, mais de 200 blogues amigos fizeram elos para as páginas do Proximizade (dos quais cerca de 120 divulgando, no primeiro dia, o seu início). Mais de 14 000 visitantes e 27 000 visualizações de página são números que traduzem a adesão que este projecto tem tido.

Mas o seu principal resultado concreto, que não pode deixar de nos orgulhar, é o apadrinhamento de - conforme chegou ao nosso conhecimento - 8 crianças em Moçambique!

A todos, reiteramos os nossos agradecimentos, muito em particular aos que, tendo como ponto de partida este blogue, decidiram empreender acções concretas de apoio, traduzidas nomeadamente no apadrinhamento de 6 daquelas crianças.

Mesmo sendo pequenas gotas de água, as nossas acções tiveram reflexos concretos na vida de pessoas, seres humanos de carne e osso, próximos de nós ou do outro lado do mundo. No fundo, dão-nos esperança, pela esperança que conseguimos trazer às organizações que ajudámos; às crianças que apadrinhámos.

O nosso principal objectivo tem passado pela divulgação de um alargado conjunto de instituições de solidariedade, com áreas de intervenção bastante variadas, as quais necessitam do apoio de todos nós e que agora recapitulamos:

- Abraço (site antigo)
- Acreditar
- Ajuda de Mãe
- AMARA, Associação pela Dignidade na Vida e na Morte
- AMI
- Amici Boni Consilii
- Amnistia Internacional
- Apifarma
- Apoiar
- Associação Portuguesa de Leucemias e Linfomas
- Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral
- Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo
- Balcão Único de Solidariedade Social
- Banco Alimentar Contra a Fome
- Cartão Solidário
- Children International
- Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado
- INDE, Organização Cooperativa para a Intercooperação e o Desenvolvimento
- Liga dos Amigos do Hospital Maria Pia
- Liga Portuguesa dos Direitos do Animal
- Novo Futuro
- Raríssimas
- Sociedade dos Artistas Deficientes Manuais
- Sopro
- SOS - Voz Amiga
- Unicef

Este é um projecto que foi criado, desenvolvido e mantido por um grupo de cerca de uma dezena de "bloggers" que, mesmo sem se conhecerem pessoalmente, decidiram reunir vontades e esforços, disponibilizando diariamente um pouco do seu tempo para dedicar a esta causa.

Pessoas que têm as suas vidas pessoais e com exigentes afazeres profissionais que, nas últimas semanas, não têm permitido a manutenção deste projecto com a regularidade pretendida.

Porque este é um projecto que deverá prosseguir - e porque se trata de uma acção "despersonalizada", em que as individualidades "não contam" (o que, não obstante os nossos amigos da blogosfera saberem que integramos este grupo, nos levou a manter o "anonimato"), tendo o colectivo a primazia absoluta - , entendemos que será altura de "passar o testemunho", acolhendo novas pessoas que pretendam colaborar, dar as suas opiniões, escrever textos, indicar resultados de pesquisas sobre outras instituições merecedoras de divulgação.

Ao longo destes três meses, coube-nos dar o "pontapé de saída"... A partir de agora, a palavra ficará também consigo! Partilhe com todos os visitantes deste blogue a informação e fundamentação de instituições que necessitem de apoio. Aguardamos "notícias" suas!

(pode enviar os seus textos, opiniões, sugestões, comentários, para o e-mail proximizade@gmail.com)

Uma vez mais, em nome dos que necessitam e tanto valorizarão o seu contributo, o nosso antecipado agradecimento.

fevereiro 01, 2006

"Proximail"

«Tenho 2 afilhados no Mumemo há já um ano e, com muita pena minha, a impossibilidade de os visitar, conhecê-los.

O Paulinho já me escreveu, através da mãe, e até mandou um desenho do bairro. Mas da minha afilhada Marta só sei o que a Irmã Susana e a Teresa Schmidt me contam. Provavelmente se passa o mesmo com os vossos afilhados.

A boa novidade é que um amigo meu (bastante mais novo) escolheu como modo de vida, dedicar-se aos mais carenciados, fundando a Animat'áfrica www.animatafrica.org/

Escreve ele à Teresa Schmidt:

..."Vejo que tem sentido dificuldades no seu projecto de apadrinhamento.

No entanto deixe-me dizer-lhe que posso e quero ajudá-la.

(...) conheço bem as frustrações de que me fala.

Conheço também todo o contexto de projectos de apadrinhamento à distância, no Verão passado estive na província de Gaza, numa aldeia, a fazer uma base de dados de crianças para o mesmo fim.

Pelo que consegui perceber estes projectos obrigam a ter um coordenador local que seja exemplar na sua tarefa, caso contrário, a cadeia de informação é quebrada e os padrinhos, sem feed-back, desistem.

(...) a nossa área de trabalho é alvo de muitas desconfianças e não é fácil ajudar aquelas crianças.

Penso passar algum tempo em Mumemo a estudar o trabalho que ali está a ser realizado e por isso faço questão de lhe enviar todas as informações que precisa acerca de qualquer criança e assim reanimar o processo. (...) como melhorar a comunicação entre si e Mumemo e penso arranjar um voluntário local e dar-lhe formação para ser o futuro coordenador da informação.

Quem sabe talvez resulte melhor."

Logo que o Tiago entrar em contacto comigo, darei mais pormenores ao Proximizade.

O segundo assunto que me leva a escrever este longo mail (cansativo?) é a "Cadeia da Esperança". Já por várias vezes foi referido (e feita uma reportagem) na TV, sobre um dos fundadores, Dr. Manuel Antunes, cirurgião cárdio-toráxico, ÚNICO médico em Portugal que não tem doentes em lista de espera. Das suas férias (ele e toda a sua equipa) tiram uns dias por ano para irem a Moçambique operar (principalmente) crianças, de modo a que estas não sejam separadas dos seus pais. A sua única remuneração é a felicidade de o poderem fazer. Deixo aqui o site e fica ao vosso critério publicá-lo ou não. www.cadesp.pt/quem.htm

Muito obrigada pelo tempo que dispensaram a estes assuntos e continuação de sucesso do vosso Blog.»

Luisa Queiroz Nazareth (via mail)

dezembro 25, 2005

Dia de Natal

Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros. coitadinhos. nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra. louvado seja o Senhor!. o que nunca tinha pensado comprado.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

António Gedeão

dezembro 22, 2005

BOAS FESTAS!

Para todos quantos nos referenciaram e comentaram, os votos sinceros de um Feliz Natal e de um Ano Novo muito bom, em que queremos poder continuar a contar com o vosso apoio; com um abraço forte dos membros do

Proximizade

dezembro 19, 2005

PROXIMAIL - É, de novo, Natal...

É, de novo, Natal. Ao repetir o ritual de decorar a árvore, recordo uma vez mais a ocasião em que a comprei, grávida de quase 8 meses, a pensar na menina que ia nascer e que dava a esta época festiva toda uma nova e imensa doçura. Era ela o meu Menino Jesus pequenino, a minha prenda de Natal mais do que tudo desejada. Hoje, onze anos volvidos, continua ela a ser o centro do meu Natal e do meu mundo, ela sobre quem cairiam suavemente todas as maçãs existentes à face da Terra, num belo desafio à lei da gravidade sugerido num poema de que muito gosto.

Hoje também, uma bebé pequenininha, que deveria ser o Menino Jesus celebrado este Natal pela sua família, luta pela vida num hospital, magoada, violada, ao que tudo indica pelos próprios pais. Em lugar de sobre ela choverem docemente as maçãs do poema que citei, cairam com força maus tratos. E, se este caso está a chocar todo o país e toma dimensões mediáticas, sabemos que não é, infelizmente, o único.

Mas nem todas as histórias de violência, abuso e maus tratos infantis terminam forçosamente mal, e eu espero que a dessa pequenina possa pertencer a esse número, mesmo que marcas indeléveis nunca deixem apagar totalmente o que sofreu. Outro dia, seguindo um dos links do Proximizade, cheguei ao site da Ajuda de Berço. Vieram-me as lágrimas aos olhos com algumas das histórias dos meninos que esta I.P.S.S. tem procurado ajudar.

Esta, por exemplo, tão triste, mas que termina em bem para dois gémeos que encontraram o aconchego do colo de outros pais, tendo mais sorte do que um irmãozito que não resistiu aos maus tratos.

Ou esta, que ainda ninguém sabe como acabará, mas aponta caminhos de esperança. E tantas outras, contadas no livro Histórias Verdadeiras dos Meninos da Ajuda de Berço, à venda nas Livrarias Bertrand por 9,5 euros, revertendo todo o dinheiro a favor da Ajuda de Berço.

Este livro vai ser uma das minhas prendas de Natal. Prenda para dar, mas também para mim mesma, e para dar a conhecer à minha filha, que pode e deve saber que há meninos que não têm a sorte que ela tem, que pode e deve aprender a partilhar e a importar-se com os outros.

E por isto, pelo que o Proximizade me deu a conhecer mais de perto, fica aqui o meu obrigada em forma de texto desajeitado mas sentido, agradecendo a este blog diferente o facto de me fazer sentir desconfortável na pele de membro de uma sociedade tantas vezes autista onde a insensibilidade ameaça instalar-se, e por me estar a mostrar que, de facto, alguma coisa pode ser feita, por meio de pequenos contributos, que parecem pequenos nadas mas podem significar toda a diferença do mundo para quem nasceu deserdado da sorte.

Zu (Um Pouco Mais de Azul)

dezembro 14, 2005

Porque a poesia pode ser reflexão de "proximizade"

Porque a poesia também pode reflectir a proximizade que cultivamos, hoje é dia de "postar" um poema.

A FALA DO VELHO DO RESTELO AO ASTRONAUTA

"Aqui, na Terra, a fome continua,
A miséria, o luto, e outra vez a fome.

Acendemos cigarros em fogos de napalme
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizémos de ti a prova da riqueza,
E também da pobreza, e da fome outra vez.
E pusémos em ti sei lá bem que desejo
De mais alto que nós, e melhor e mais puro.

No jornal, de olhos tensos, soletramos
As vertigens do espaço e maravilhas:
Oceanos salgados que circundam
Ilhas mortas de sede, onde não chove.

Mas o mundo, astronauta, é boa mesa
Onde come, brincando, só a fome,
Só a fome, astronauta, só a fome,
E são brinquedos as bombas de napalme."

(José Saramago In OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1981. 3ª edição)

dezembro 12, 2005

"Se pudéssemos ser cidadãos de pleno direito"

Nuno Vitorino

Nuno Vitorino, português, 28 anos de idade, atleta paralímpico e blogger do Natação Adaptada, é hoje entrevistado do Proximizade, para nos dar o seu testemunho sobre as barreiras arquitectónicas que continuam a subsistir em Portugal e as dificuldades quotidianas que um cidadão portador de deficiência enfrenta.

Proximizade - Em 1997, uma Lei do Estado Português obrigava a que fossem gradualmente eliminadas as barreiras arquitectónicas que dificultam a circulação do cidadão portador de deficiência. Estamos no final do ano de 2005; sente na realidade quotidiana o cumprimento desta lei?

Nuno Vitorino - O egoísmo reinante nos nossos governantes leva ao “Chico-espertismo” e a leis maquilhadas que nada servem a não ser para encobrir a responsabilidade que os nossos governantes deveriam ter para que nós, pessoas com algumas limitações, pudéssemos ser cidadãos de pleno direito.

P - Quais as barreiras arquitectónicas que é mais comum encontrar-se?... Como é que o cidadão portador de deficiência contorna essas situações?

NV - De maneira compreensiva. É desta forma que nós suportamos as dificuldades com que nos deparamos, pois existe sempre alguma alternativa; temos é que, muitas vezes, sermos os inventores dessas mesmas alternativas, ou como eu costumo dizer: “Enfim… Valha-me eu...”

P - Que edifícios considera emblemáticos do desrespeito para com o cidadão deficiente?

NV - O CCB - Centro Cultural de Belém; este grandioso edifício e espaço de actividades culturais não possui entrada para deficientes. Esta só é possível por um parque de estacionamento que nem sempre está aberto e no Porto, bem no Porto, a grande Casa da Música também é uma das vergonhas que possuímos neste nosso Portugal, com uma entrada só possível se tivermos como amigo o Luís de Matos para ultrapassar aquela escadaria e já comprovado por amigos meus que é impossível ir a Casa da Música. Enfim, no meio de tantos milhões, não houve 10 euros para fazer uma rampa…

P - Como consegue utilizar o Multibanco?

NV - Como nem tudo é mau, eu trabalho na Câmara Municipal de Lisboa e esta possui no seu interior 2 caixas ATM adaptadas a deficientes, sendo que é directamente a CML que tem feito um esforço para alterar a situação das pessoas portadoras de deficiência. Fosse assim tão fácil mudar mentalidades!

P - Os passeios deviam ser nivelados ao piso da estrada?

NV - É urgente que se façam essas alterações pois é impossível para qualquer cadeira de rodas circular nos passeios. A dificuldade é imensa; não é raro vermos cadeiras de rodas a circular na estrada precisamente porque os passeios estão cheios de carros, ou com obstáculos de vária ordem como sinais, postes de electricidade ou ainda com pedras da calçada soltas, uma verdadeira armadilha para as cadeiras.

P - Que outras dificuldades enfrentadas no dia a dia pelos cidadãos portadores de deficiência quer salientar, pela urgência necessária na sua resolução?

NV - Julgo que a burocracia existente à volta desta problemática é enorme, assim como a dificuldade que é conseguir ajudas técnicas inerentes às diversas deficiências. Seria tudo mais fácil se deixássemos de lado o “EU” para pensarmos mais no “NÓS”.

P - Em termos pessoais, que projectos de futuro quer ainda abraçar?

NV - Eu neste momento estou numa fase de estabilização pois acabei de abandonar a alta competição por causa de um projecto ainda maior: o de ser Pai e ainda por cima, de gémeos. Esta sim vai ser a minha grande causa “Hasta la muerte”…

novembro 27, 2005

PROXIMAIL - "aos meninos de mumemo"

Depois dos textos da Filipa Paramés e do Jorge Manuel (Sharkinho), apresentamos hoje no "Proximail" um texto da autoria de Almaro (Cartas de Marinhar). Pode enviar-nos os seus textos para o e-mail proximizade[at]gmail[ponto]com

aos meninos de mumemo

Escrevo-te menino de Marracuene, por saudade, coisa estranha este maka de sentir falta de uma terra cor de sangue, que tu pisas em angustia e que eu menino como tu, pisei em alegrias muitas, ao passear-me no rio serpente , também ele, cor de sangue, que aí perto do teu novo bairro, corria barrento. Tenho saudades do velho e indomável Inkomati, das histórias muitas que me contavam de xicuembos ao som de batuques e de ximandjemandes . Esta saudade, estranha para um Tuga que só por ai passou, incomoda-me. Por isso te escrevo para te dizer que dentro de pouco tempo estarei aí. Quero esquecer as alegrias e com elas olhar os teus olhos. Quero que me digas olhos nos meus, o que precisas para sorrir. Quero passear de mão dada contigo e saber que há um futuro, quero olhar o Inkomati contigo e sentir a tua mão presa à minha, com a liberdade de sermos dois que sonham com uma terra que é mais que montes de muchém …

Seremos os dois, formigas, ou apenas colibris. Seremos fazedores de terra, tu e eu de mãos dadas a sorrir. Quero que me ensines os teus sonhos, os teus desenhos, as tuas sombras. Quero perceber como sobrevives na angustia do não existir e caminhar contigo para lá do Limpopo. Quero que me ensines a plantar um Canhoeiro…

Escrevo-te menino de Mumemo, para que me ajudes a ser mais que angustia e sentir que um dia pude desenhar um sorriso a um menino que corre como os sonhos escondidos , lá por terras d’africa …

Escrevo-te para te dizer que dentro em pouco estarei aí…por ti.

Maka: problema
Xicuembos: feitiços
Ximandjemande: danças
Muchém : formigas
Canhoeiro: árvore de fruta

novembro 25, 2005

Notícias de Mumemo

De um mail enviado pela Irmã Susana para a APOIAR:

“… se não fosse a vossa ajuda pelo apadrinhamento, a creche e o programa de reabilitação da má nutrição estava em crise, de se reduzir no mínimo dos mínimos, pois não era possível continuar a ter 250 crianças sem lhes dar alimento nutritivo (…) o Programa Mundial de Alimentação tem dado só milho para fazer papas e massa ou tchima, porém não dá açúcar nem gás para cozinhar as papas, por isso, de todo o coração, em nome das crianças, o nosso muito obrigado. Agradeço que passem esta mensagem às madrinhas e padrinhos, a quem eu não escrevo quase nunca. (…) Estas crianças precisam tanto de atenção, na creche cada vez ficam mais horas; agora começa às 7 da manhã e, de noitinha, ainda lá estão. Mas são felizes assim e fazem tanto barulho a brincar que é mesmo sinal de saúde de menino normal.”

novembro 19, 2005

PROXIMAIL - "Extrema Função"

O Proximizade é uma realidade colectiva aberta à participação activa de quem o lê e o quer apoiar.

Nesse sentido, acolhemos com satisfação as contribuições que nos possam enviar e das quais seleccionaremos para publicação (nesta rubrica a que chamamos Proximail) as que melhor se enquadrarem no âmbito da missão a que nos propomos. As colaborações serão publicadas ao fim-de-semana.

Enviem as vossas propostas para o nosso email proximizade@gmail.com e exibam dessa forma o vosso empenho nesta causa comum.

Depois da estreia, com um texto da Filipa Paramés, segue-se hoje um texto do Jorge Manuel (Sharkinho).

ocaso savana.jpg

EXTREMA FUNÇÃO

A jovem médica, acabada de chegar ao acampamento, estacou na soleira da porta. Insectos voadores, enxames, batiam-lhe na pele sem cessar. Indiferente, Ana tentava ajustar o cérebro à multiplicidade de sensações que recolhia. O som da agonia, o cheiro da morte e a visão do inferno, combinados no interior de uma tenda de campanha para se apoderarem dos sentidos e enlouquecerem qualquer pessoa. Ana quase desmaiou.

Engoliu em seco e cruzou a fronteira do horror que a aguardava na sua primeira missão como voluntária. Dois médicos holandeses chocavam entre si, cada um embrenhado em diversas vidas para salvar. Três enfermeiras acudiam-lhes no que podiam. Encolhiam os ombros nas muitas vezes em que davam por falta dos meios indispensáveis para assistir os pacientes que definhavam, resignadas após quase seis meses a lidarem com a situação. Mas não paravam, antes desviavam a atenção para todos quantos lhes parecessem em condições mínimas para sobreviver.

Precisavam de vitórias, de pequenos milagres que lhes aliviassem o fardo permanente da impotência que prevalecia. Seleccionavam com o olhar os moribundos, afastavam-nos para um canto da tenda e concentravam-se nos que aparentavam algumas hipóteses de salvação. Estatística da mais crua, imposta pela necessidade, sobreposta ao coração.

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novembro 16, 2005

Minina

Minina

"Olá.

Obrigada pela vossa resposta e obrigada por me terem permitido conhecer a Minina.

Tal como referi no primeiro mail que vos enviei, depois das primeiras visitas ao Proximizade, tirei os dados de Mumemo e cá em casa resolvemos contactar a organização para apadrinhar uma criança.

A Minina foi-nos hoje apresentada e claro que tinha que a apresentar logo aos responsáveis por este apadrinhamento.

Ainda não sei muito sobre ela: sei que nasceu em 2003 e que estava muito assustada quando lhe foi tirada esta fotografia (em 2004)."

Este é o testemunho da Ana, a primeira leitora que nos informou ter aderido ao projecto de apadrinhamento, a partir da divulgação aqui efectuada no Proximizade.

Uma informação que, compreensivelmente, nos deu uma enorme satisfação. Gostaríamos imenso de receber novas comunicações do mesmo teor!

Há tantas "Mininas" como esta à sua espera! Contamos consigo que nos lê; junte-se a este grupo de gente que faz acontecer...

novembro 14, 2005

O seu testemunho é importante!

Aos amigos que nos visitam!

O Proximizade teve início no dia 2 de Novembro, fruto da indignação de cerca de uma dezena de bloggers, sem nome, sem rosto, sem nicks.

Apenas com vontade de estimular este "mundo blogosférico", procurando fazer com que cada blogger ou visitante olhe um pouco para o lado. Quer esse lado seja a colega loira, ou a criança, que vive a milhares de km e que morre neste preciso segundo... de fome, desnutrida, mal tratada pela vida e humilhada com a nossa indiferença.

Começámos por ter a ideia de apadrinhar uma criança... já apadrinhámos duas: a Berta e o Luís.

Fruto desta divulgação, até agora, tivemos já conhecimento de outro apadrinhamento, existindo outras pessoas a tentar encontrar outras disponíveis para, em grupo, concretizar novos apadrinhamentos.

No entanto, o objectivo do Proximizade não se limita a apadrinhar crianças.

Gostaríamos de contar consigo, que nos lê. E que gostava de fazer algo pelo bem estar comum, quer seja em África, na Ásia, ou "tão só e apenas" à sua porta.

Partilhe connosco, o que se passa por aí, na sua terra, na sua aldeia, na sua vila ou cidade. Onde mora, onde trabalha, onde um dia já viveu.

O Proximizade quer transmitir uma mensagem de esperança e fé na humanidade. De Amor, de Proximidade e de Amizade. De Partilha de recursos.

Escreva-nos e diga-nos o que se passa por aí; envie-nos um e-mail para proximizade[arroba]gmail[ponto]com. O Mundo conta consigo, nós apenas pretendemos ajudar a divulgar e contribuir para unir quem precisa e quem tem para dar.

Saudações proxiamigas!

novembro 12, 2005

PROXIMAIL

O Proximizade é uma realidade colectiva aberta à participação activa de quem o lê e o quer apoiar.
Nesse sentido, acolhemos com satisfação as contribuições que nos possam enviar e das quais seleccionaremos para publicação (nesta rubrica a que chamamos Proximail) as que melhor se enquadrarem no âmbito da missão a que nos propomos. As colaborações serão publicadas ao fim-de-semana.
Enviem as vossas propostas para o nosso email proximizade@gmail.com e exibam dessa forma o vosso empenho nesta causa comum.
E agora a estreia, com um texto da Filipa Paramés que muito agradecemos, em nome dos que precisam.


A HISTÓRIA DO COLIBRI

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O Mário sorriu e disse-me:
- Sabes a história do colibri?
- Não... - disse eu curiosa e à espera.

E depois lá ma contou:

- Uma vez houve um incêndio enorme numa floresta que fez com que todos
os animais fugissem do fogo. Era impossível combatê-lo. Enquanto
fugiam repararam que um pequeno colibri entrava e saía do fogo.
À enésima vez o Leão achou aquilo demasiado estranho e perguntou-lhe:
"Ó colibri, afinal o que andas tu a fazer a entrar e a sair deste fogo
enorme?"
E ele disse:
"É que eu encontrei um rio aqui perto. Então encho o bico de água e
atiro para o fogo!"
O Leão admirado, insistiu:
"Então, tu tão pequenino, achas mesmo que consegues apagar este fogo
imenso? É impossível!"
"Eu sei que é impossível, mas eu faço a minha parte..."

Não costumo almoçar ou jantar quando está a dar o noticiário na
televisão. Não gosto que o que se está a passar no Mundo perturbe ou
incomode a minha refeição. Principalmente se as novidades envolvem
pessoas que passam fome ou estão em sofrimento extremo. No caso de ter
o azar de tal maçada acontecer, pego no comando e mudo para um outro
canal que, de preferência esteja a transmitir uma sitcom americana. OU
então mudo para a VH1 e vejo o programa "The Fabulous Life Of..." em
que as celebridades estouram 300 mil dólares ou mais numa festa
privada qualquer.
É assim com estes jogos de cintura inconscientes que eu e todos nós
nos integramos na sociedade. É assim que nos habituamos a escudar do
que nos afecta verdadeiramente. Gosto de pensar que muitos de nós não
dá o primeiro passo em relação a causas humanitárias porque sabemos
que o confronto é demasiado doloroso.
Vemos as nossas possíveis atitutes humanitárias como uma minúscula
gota num vasto oceano. Como parece ser tão pouco, nem se tenta. Assim
explica-se muita inacção. Até explica ironicamente a nossa
sensibilidade (ou falta dela): "Ai, nem consigo ver isto! Que horror,
até me arrepio toda!" Explica muita coisa sim, mas nunca irá
justificar estas apatias tristes e constantes.
E é assim que temos tempo para os nossos melodramas...
Decidi recentemente ir durante um mês para Moçambique como voluntária.
Uma decisão a longo prazo, pois, e se tudo correr bem, só em 2007 é
que terei essa oportunidade. No fundo, não é preciso apanhar um avião,
atravessar um continente ou fazer milhares de quilómetros para se
ajudar uma ou várias pessoas. A caminho da faculdade, do emprego ou de
um evento social fútil, encontra-se muito boa gente que precisa de uma
mão amiga. Infelizmente, não é preciso ir muito longe! Mas felizmente,
até 2007 há milhares de oportunidades para arregaçar as mangas! Basta
querer abrir os olhos.
No meio de tanta desgraça, o que é preciso é ajudar. O importante é
manter a memória fresca e acordar: deixar de ignorar o que se passa,
deixar de mudar de canal quando não nos apetece gramar com desgraças
alheias e, principalmente, deixar de fingir que não sabemos que no
fundo somos uns sortudos e uns egoístas.
Tudo o que se fizer é sempre pouco. Muito pouco. Mas esse pouco deve
existir, permanecer e persistir numa luta injusta e constante!
Como o colibri que luta contra um fogo imenso, mas que nunca desiste.
Ele, um simples e pequeno pássaro, sabe muito bem que se cada um fizer
a sua parte, muitas pequenas gotas formam lagos enormes que destroem
quaisquer fogos.

Autora: FILIPA PARAMÉS

novembro 09, 2005

APOIAR - Testemunho na Primeira Pessoa

Os apadrinhamentos em Mumemo estão a cargo da APOIAR – Associação Portuguesa de Apoio a África, “uma associação humanitária, sem fins lucrativos, constituída em 1995, cujo principal objectivo é colaborar no desenvolvimento dos países africanos de expressão portuguesa, através da formação”, acreditando que “a educação e o acesso à informação ajudarão a romper com o «ciclo de pobreza»”.

Ninguém melhor para nos apresentar este projecto do que a sua principal mentora, Teresa Schmidt.

“Em 1995 fui com uma amiga e um filho, pela primeira vez, a Moçambique. A Paz tinha sido assinada em 1992 e o país estava ainda num profundo caos e miséria. Com a ajuda de um amigo que conhecemos lá, corremos o país quase todo, pois a nossa vontade era saber junto da população onde poderíamos ser úteis. Na altura foi considerada uma verdadeira aventura, havia minas por todo o lado e muita, muita pobreza. Mas nós não sabíamos nada e principalmente não estávamos preparados para o que vimos! O choque emocional mudou a nossa vida e gerou um sentimento tão forte que nos atirou de imediato ao trabalho! Era impossível voltar para Portugal e ser feliz – tínhamos que agir, dentro dos nossos limites fazer o possível para ajudar.

Por todo o lado tinham-nos pedido educação, pois a língua comum ajudava – cursos rápidos que pudessem ajudar os jovens a ter um futuro. Na altura só havia uma única universidade no Maputo e era muito difícil e caro entrar – o que levava os jovens ao desespero, depois de terem feito um enorme esforço de estudarem até ao 12º ano num país em guerra. Pediram-nos computadores! Num país que na altura era o 5º mais pobre do mundo! Era impensável!

E assim começámos: levávamos os computadores daqui, montávamos centros de informática com UPS, geradores, 6 computadores, impressoras e ficávamos lá durante 2 a 3 meses, em aulas intensivas, a formar formadores. Os CD’s de Geografia, História universal, etc. eram um factor muito importante para os professores que não tinham acesso a livros... quanto mais os alunos. Fizemos 11 centros espalhados pelas capitais do país, que hoje continuam a trabalhar e ganhar dinheiro. Entretanto fomos melhorando as máquinas e hoje são tudo multimedia. Muitos de parceria com as Irmãs Franciscanas, as mesmas do Mumemo.

Em 1997, estando nós a dar aulas no Xai Xai, conhecemos uma irmã dominicana que tomava conta de miúdos da rua e tentava ensinar-lhes letras e números que desenhavam com um pau no chão. Com a ajuda de empresas e principalmente de pessoas que se interessaram pelo projecto, alugámos as primeiras duas salas e instalámos a 1ª escolinha. Em 2000 tudo ficou arrasado e foi preciso recomeçar de novo noutro local. Hoje a Escolinha do André [assim se chama a escola] tem 160 crianças que estudam da infantil à 5ª classe, comem 2 refeições, brincam, aprendem cestaria, corte e costura, machamba (horta), informática e são felizes! Fazem muito barulho e asneiras como as nossas crianças quando são felizes! Temos também 60 adultos na alfabetização e senhoras na costura.

Esta escola é totalmente suportada pelos padrinhos e madrinhas e alguns beneméritos. Estamos neste momento a fazer casas para estas crianças que vivem em situações deploráveis – já se conseguiram 15!

Com a experiência adquirida no Xai Xai e a pedido da Irmã Susana, de quem somos amigos há 10 anos, começámos este ano com a creche do Mumemo. Logo que Mumemo esteja todo apadrinhado iremos para o Gurué, nas plantações de chá no meio das montanhas.”

novembro 03, 2005

Mumemo na primeira pessoa

O historial deste bairro na voz da sua responsável, a Irmã Susana Marques, da Fraternidade de S. Francisco de Assis.

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Irmã Susana Marques

"Desde o ano 2000, com a tragédia das cheias que devastou o centro e sul de Moçambique, nós, Irmãs Franciscanas, sofrendo com o sofrimento do povo do nosso bairro Chamanculo C – tão duramente atingido – não podíamos deixar de agir perante tão pungente situação. A fúria das águas destruiu todas as casas de material precário, as latrinas e danificou as de alvenaria, arrastando na sua voragem os modestos haveres que possuíam.
Chamanculo ficou transformado num lago imundo e lamacento, obrigando a população a fugir espavorida daquela massa de água que os ameaçava e a correr em demanda de abrigo.
À nossa casa, o Convento de S. José, vimos chegar mais de uma centena de pessoas encharcadas até aos ossos, de mãos abertas como quem tenta ainda salvar o pouco que não perdeu, olhos amedrontados e a pedir socorro.
Demos abrigo, pão e fomos bater às portas de quem nos pudesse ajudar com mantas, esteiras, roupa, alimentos e lenha.

Os dias foram passando e um mês após esta catástrofe, pensando nós que tudo tivesse normalizado, demos uma volta pelo bairro acompanhadas por alguns dos refugiados ainda em nossa casa. Ficámos alarmadas ao ver o panorama chocante e desolador com que deparámos!
Centenas e centenas de famílias a viverem mergulhadas em água podre e estagnada até à cintura, corpos de bebés ainda enterrados na lama! As pessoas dormiam por cima de mesas e caixotes.
Nós, Irmãs Franciscanas, desconhecíamos em profundidade o viver desumano do bairro nosso vizinho! Era uma multidão que disputava um cantinho onde se pudesse acomodar, chegando a viver 20 pessoas na mesma pequena barraca, exposta todos os anos a sofrer inundações na época das chuvas.

Perante factos não há argumentos. Sentimo-nos interpeladas até ao mais fundo do nosso coração e desafiadas para uma nova realidade. Fora Deus que ali nos chamara para nos apontar a maior prioridade do tempo presente à nossa Missão Hospitaleira. É certo que não possuímos bens materiais, mas temos consciência de que a nossa voz encontra credibilidade juntos dos homens e organizações humanitárias.
Então fizemos nossa a voz destes mais pequeninos da sociedade e pusemo-nos em campo.

Batemos às portas da Caritas, das Embaixadas, do Governo, do Ministério de Segurança Social, das organizações humanitárias, trabalho extenuante de muitos meses pois Moçambique estava paralisado pelo caos.

Hoje Mumemo é uma comunidade em crescimento.
O Governo deu-nos um terreno a 30 kms de Maputo.
A Caritas espanhola e italiana construíram 500 casas de 2 quartos e sala.
O Ministério do Trabalho em Portugal construiu um centro profissional onde se podem preparar futuros electricistas, carpinteiros, padeiros, mecânicos, serralheiros, pintores, bate chapas.
A Apoiar criou um centro de costura e outro de informática, formou os nossos jovens deficientes para serem os futuros formadores nessas áreas; e ajuda a creche para as crianças mais desfavorecidas.
A Cafod assumiu a arborização do bairro.
Algumas Embaixadas ofereceram poços e os arruamentos.

Agora cada família tem a sua casa e um espaço para uma machamba, tendo recebido árvores de fruto e sementes. Gozam do apoio de um centro social, de um mercado onde podem vender os seus cultivos, artesanato e roupas, de uma Maternidade e de uma Igreja em crescimento, tanto físico como espiritual.

As populações começam a compreender que agora está a chegar a sua vez de transformar esta comunidade num projecto auto-sustentável em que a dignidade humana e o respeito pela natureza são valores que pretendemos implantar, desenvolver e fazer crescer, especialmente a partir das nossas crianças, futuro da nossa Pátria, Moçambique."

Irmã Susana Marques
Fraternidade de S. Francisco de Assis
Mumemo – Marracuene – Moçambique

(texto revisto pelo Proximizade)